Foto: Polícia Civil (Divulgação)
O delegado Carlos Alberto Dias Gonçalves, titular da 1ª Delegacia de Polícia conversou com a reportagem sobre a jovem que foi resgatada na terça-feira (27) de uma situação de cárcere privado após ser encontrada acorrentada pelo pé, com cadeado, dentro de uma residência localizada no Assentamento Conquista da Esperança, no interior de Tupanciretã. De acordo com o delegado, os policiais se depararam com uma cena que chamou a atenção pela gravidade e pelas condições em que a vítima se encontrava.
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— A investigação partiu de uma denúncia anônima de que uma mulher estaria sendo mantida em cárcere privado. Foram feitas diligências e, ao chegarmos ao local, encontramos um quadro degradante, absurdo, com essa mulher literalmente acorrentada, inclusive com cadeado — relatou o delegado.
Segundo a Polícia Civil, o homem apontado como responsável estava na residência no momento da chegada dos agentes. Ele foi preso em flagrante pelos crimes de cárcere privado e violência doméstica e encaminhado ao sistema prisional.
— O companheiro estava em casa e foi preso em flagrante. Ele não reagiu à prisão e, no auto de prisão em flagrante, optou por permanecer em silêncio — explicou o delegado.
Histórico de violência
Ainda conforme o delegado, a vítima relatou à polícia que vivia há cerca de sete anos com o autor dos fatos e que sofria um histórico de violência doméstica, tanto física quanto psicológica. No entanto, segundo o relato, os episódios nunca haviam sido comunicados oficialmente às autoridades.
— Ela nos relatou um histórico de violência doméstica, mas que nunca levou ao conhecimento da polícia. Disse que vinha sofrendo constrangimentos físicos e psicológicos há bastante tempo — afirmou o delegado.
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A prática de acorrentá-la, segundo a vítima, teria começado há 15 a 20 dias, como forma de impedir que ela saísse de casa.
— Ele passou a acorrentá-la com receio de que ela fugisse. Essa foi a justificativa relatada pela vítima — disse o titular da 1ª DP.
Apesar da situação extrema, a Polícia Civil informou que a vítima relatou não sofrer restrição de alimentação ou de água. As necessidades básicas estavam disponíveis, mas a liberdade de locomoção era totalmente negada.
— Ela tinha acesso às necessidades básicas. O que ele não queria era que ela saísse de casa. Por isso, tomou a iniciativa de acorrentá-la — detalhou o delegado.
Durante o resgate, os policiais observaram hematomas na vítima, compatíveis com o histórico de violência relatado.
Situação causa perplexidade
O delegado afirmou que o caso causou surpresa até mesmo entre os policiais, pela forma como a violência foi praticada.
— Nos dias de hoje, uma situação dessas surpreende muito. É algo que lembra uma prática medieval — destacou.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que apura a extensão das agressões e outras possíveis responsabilidades do autor.